domingo, 15 de março de 2020

Amargo mar


     Todos nós temos momentos difíceis. E às vezes, no auge do nosso desespero, estendemos o braço pra quem esteja do nosso lado e gritamos: "Socorro, tô me afogando!".  
     Eu sei que nem todo mundo sabe nadar, ninguém é obrigado a saber. Mas é nessas horas que descobrimos quem são nossos amigos.
    O amigo que só quer estar ao seu lado quando é pra fazer lindos castelos de areia vai responder: "Desculpe, não sei nadar.", e seguir caminhando pela orla sem culpa, afinal fez o que podia. O amigo de verdade, sabendo ou não nadar, vai procurar uma bóia, uma corda, vai ficar na margem gritando "bate a perna, mulher!", não vai desistir de você.
       Nesses dias de mar turbulento e ondas  gigantescas, pude descobrir quem são os que vão embora, os que permanecem na margem tentando me puxar e até os mais loucos que chegam a se jogar no mar por mim. E sou extremamente grata pela descoberta, afinal saber é ter poder. Grata pelos que foram, pois desatravancaram o caminho, grata pelos que ficaram, pois se fizeram presentes e essenciais.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Ensaio

Por vezes acreditamos ter estabelecido uma conexão com alguém, quando na verdade o que houve foi uma simples interação. É preciso entender a diferença, do contrário, nos vemos conectados a uma sombra, a uma figura que só existe no nosso imaginário e que espelhamos naquela pessoa com quem interagimos por um  momento. 
Não digo que interações não são importantes: o ser humano é um ser social, depende delas. Só que o objetivo de uma interação é puramente este: o social. Já objetivo de uma conexão é emocional, o que demanda muito mais energia. Apegarmo-nos a conexões inexistente faz com que gastemos nossa limitada energia em algo que não dará frutos. Ora, se nosso corpo é programado para poupar energia, por que então nos vemos compelidos a gastá-la assim, tão inutilmente? Simples: conectar-se verdadeiramente com outro ser humano gera frutos tão saborosos que faz valer a pena toda a energia dispensada. Mas confunda conexão com interação e veja-se eternamente à sombra de uma amendoeira esperando colher maçãs. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A Nova Bíblia



Não sou cristã, mas já fui durante muito tempo. Deixei de ser por simples divergência com a organização da religião, a igreja em si, mas como pessoa que estudou a Bíblia, admiro e respeito os ensinamentos de paz, amor e humanidade pregados por Jesus. Ou pelo menos essa foi a mensagem que ficou para mim das leituras que eu fazia...
Recentemente tenho lido muitos comentários nas redes sociais de amigos cristãos declarados que me deixaram na dúvida sobre se de fato interpretei a Bíblia de modo certo ou se houve alguma mudança de que eu não esteja a par. Caros amigos cristãos praticantes, me tirem essa dúvida: teve alguma mudança na Bíblia que eu não esteja sabendo? Será que tiraram a passagem "Que atire a primeira pedra quem não tiver pecado" e colocaram "Bandido bom é bandido morto"no lugar? Ou que "direitos humanos para humanos direitos" está agora no lugar de "Amai ao teu próximo como a ti mesmo"? Sei lá, tô confusa.
De qualquer modo, deixo-vos com uma das minhas passagens preferidas do evangelho, que prega uma das virtudes que mais valorizo: a empatia.

"Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão a vós." - Mateus, 7:1-2

Palavra da Salvação

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Dia da Consciência Negra


Ao tentar passar para meus alunos alguma informação quanto ao dia da Consciência Negra, me deparei com o fato de que não sei NADA sobre a História Afro-Brasileira. Pesquisei uma ou outra coisa na internet sobre Zumbi e quilombos e João Cândido e A revolta da Chibata,  mas isso não deu conta de superar anos de ignorância. O fato é que não éramos ensinados sobre isso na escola. Nessa minha pesquisa, descobri também que em 2003 foi promulgada a lei 10.639 que determina o ensino de "História e Cultura Afro-brasileira e Africana" nas escolas. Neste ano eu já não estava mais na escola, mas posso pensar que a próxima geração poderá ser mais bem informada que eu, certo? Bem, não exatamente... Há uma séria defasagem de professores com proficiência suficiente para ensinar tal disciplina, o que se deve ao fato de que eles mesmos não foram educados para difundir essa cultura.

Vejo muitas pessoas comentando - "Por que um dia da Consciência Negra? Que exagero! Não precisa..." E é com vergonha que admito que já fui uma dessas pessoas. Creio, porém, que tal questionamento é antes motivado por ignorância que por puro e simples despeito. Enquanto tratarmos a História Afro-Brasileira como uma história à parte, estaremos tratando os negros do Brasil como um povo à parte. Quando finalmente entendermos que Zumbi e João Cândido são antes heróis nacionais, mais que simplesmente "heróis dos negros", estaremos entendendo que há um só povo com uma só historia em uma só nação. Enquanto houver aprendizado e luta a fim de caminharmos para a igualdade, deve, sim, haver “Dia da Consciência Negra”.  

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1) Em tempo, reconheço que nunca vou saber como é ser negra, ser olhada como negra, procurar emprego como negra, me relacionar no mundo como negra. Esse texto é somente um manifesto contra a ignorância (a minha própria ignorância, inclusive) em relação à História e Cultura Afro-Brasileira, porque entendo que a ignorância é um dos fatores que mais alimenta o preconceito. 

2) Foto de João Cândido Felisbertotambém conhecido como "Almirante negro" militar brasileiro da Marinha de Guerra do Brasil, líder da Revolta da Chibata (1910).

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Emaranhado


Qual pente se usa para desembaraçar os fios do pensamento? Aqui estou eu, tecelã que nada tece, presa nesse trabalho interminável. Perdida nessa estonteante profusão de cores e texturas, nada posso ainda produzir. E enquanto eu não produzir, os fios só vão se acumulando, se estragando, se empoeirando. A cabeça fica assim, tão cheia, que os fios já começam a se espalhar por aí. A garganta se enche de nós, os lábios se enchem de nãos e o coração fica tão cheio de lã embolada que quem quer que se dispusesse a entrar não caberia. De tão cheio, parece vazio, porque é cheio de coisas inúteis, de maria que não faz produto, de sono que não traz repouso porque é antes estupor, é antes sufocamento. Se ao menos eu  soubesse que ponta puxar primeiro...


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Comigo me desavim


Tentei escrever sobre o assunto, até que lembrei que Sá de Miranda já escreveu bem do jeitinho que eu queria dizer (há uns 500 anos atrás):

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Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor, da gente fugia,
Antes que esta assim crescesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.

Que meio espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho inimigo de mim?

sábado, 18 de janeiro de 2014

Isso


Ai de mim que não posso traduzir Isso por escrito. Essa Coisa que só pode ser exprimida por gritos, interjeições inescrevíveis, fonemas inexistentes em qualquer língua. Isso que de dentro do ser humano desperta e revolta-se e emerge. Isso que não é humano, sequer animal, mas que vive e se move, como uma enchente ou uma explosão.
Isso é líquido.
É fluido.
É violento.
A mão humana percorre corpos e espaços tentando se agarrar a algo, não quer deixar sua humanidade se perder no meio do barulho e do caos dIsso. O corpo se perde em espasmos sem sentido tentando lembrar como é ser humano... tentando, tentando e cada vez mais se parecendo com algo não-humano-sequer-animal.
Em meio a Issoa boca vocifera na língua do fogo, os olhos se voltam para dentro virados em farol, os membros são feito pedras soltas que rolam no fundo de um rio e a mente, se segurando em todos, todos, todos os fios de cabelo que pode, se balança suave e sussurra: "vai dar tudo certo".
Mas quem ouviria em meio a tudo Isso?

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Adaptado de "A insustentável leveza do ser - Milan Kundera"


"O cão jamais fora expulso do paraíso, ignora tudo sobre a dualidade do corpo e da alma e não conhece vergonha. Parece-me apenas que o casal é criado de forma tal que o amor do homem e da mulher é a priori de uma natureza inferior ao que pode existir (pelo menos na melhor de suas versões) entre um homem e um cachorro.  É um amor desinteressado, eu não quero nada do meu cão. Nem mesmo amor exijo. Nunca precisei fazer perguntas que atormentam os casais humanos: será que ele me ama? será que gosta mais de mim do que eu dele? terá gostado de mais alguém além de mim? Todas essas perguntas que interrogam o amor, o avaliam, o investigam, o examinam, será que não ameaçam destruí-lo no próprio embrião? Se somos incapazes de amar, talvez seja porque desejamos ser amados, quer dizer, queremos alguma coisa do outro (o amor), em vez de chegar a ele sem reivindicações, desejando apenas sua presença.
Aceitei meu cão tal qual é, não procurei torná-lo minha imagem, aceitei de saída seu universo de cachorro, não desejei confiscar nada  dele, não sinto ciúmes de suas tendências secretas.
Nenhum ser humano pode oferecer a outro o idílio. Só o animal pode, porque não foi expulso do Paraíso. O amor entre o homem e o cão é idílico. É um amor sem conflitos, sem cenas dramáticas, sem evolução."

À meu amor idílico, minha cachorra 'Funny', que em janeiro completa 16 anos.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

A Gota D'água





Cansado de há tempos caminhar por ressequidos pastos, eis que o animal sedento avista A Água que tanto buscava.  É a melhor das fontes que já vira, a que tem a água mais fresca, a mais limpa, a mais pura. A visão da gota cristalina fascina o bicho. Enfim alivio para sua sede! 

Mas tão logo as pequenas e frágeis gotas brotam da fonte, o sol que as faz brilhar as seca. Em vão o bicho cava, gruda o focinho, aguça os sentidos. A água é boa, mas não há muita. E com todo o esforço a sede só aumenta.

Por mais lindo que seja o espetáculo das gotinhas diamantes brilhando e sumindo ao sol, sou bicho. Corpo de bicho tem necessidades. Ao leste há um lago de águas barrentas que são minhas velhas conhecidas. Para lá caminharão quatro patas exaustas e resignadas, cientes da abundância que as aguarda.


Corpo de bicho tem necessidades simples. Não precisa água de brilhar no sol. Precisa água de matar a sede. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

PA

Numa progressão aritmética, se a razão é negativa, não importa o quão alto seja o termo inicial, o destino da progressão é decrescer a zero. E se a razão é positiva, o termo inicial pode até ser negativo, mas os termos seguintes estarão sempre crescendo rumo ao infinito.

Mas o coração tem razões que a própria razão desconhece, e não há fórmulas que decifrem em quais termos isso vai dar.

domingo, 21 de julho de 2013

Defenses down


Amor, o teu sorriso não me engana.
Também eu tenho sorrisos falsos para mostrar ao mundo.
Todos nós vestimos escudos e armaduras
E, feridos, ficamos tentados a permitir
que para sempre nos protejam.

Tão ou mais importante que saber quando subir suas defesas
é saber quando baixá-las.
Num dia lindo de sol como este
é preciso abrir a viseira do elmo para ver o sol.
                                                  É preciso abrir a couraça para sentir o vento. 
            É preciso apoiar o escudo para correr mais leve.

                                                   Covarde o que vive de armadura no mundo!
                                                   Duro e forte, mas esquecido
                                                   de que está fadado à ferrugem.

                                                   Vem ser de carne e osso comigo.
                                                   Vem sentir o calor das minhas mãos nuas.
                                                   Vem, amor, apóia a lança. 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Band-aid



Ele cobriu minhas feridas por um tempo, mas agora elas têm que respirar e se curar sozinhas.

Band-aid é bem rápido que se arranca. Dói e às vezes até leva um pedaço seu. E deixa a marca dele na sua pele. 

Band-aid é bem rápido que se arranca. Dói, mas vai passar.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

o tédio é uma coisa morta

a tristeza é essa coisa morta
mofando na geladeira

a depressão é quando a coisa morta
mofando na geladeira
é você





* Outro texto antigo, porque nada mudou.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Paixão Platônica


Camila:
Essa situação toda me deixa muito ansiosa. Não me sinto forte o suficiente para lidar com isso.

Tom:
Mas você tem a paixão, e isso é o suficiente.

Camila: 
Não, não é. Paixão sem atitude não gera nada além de uma paixão platônica. Não traz resultados.

Tom:
Mas se a ação te deixa ansiosa e você já está lidando com outros problemas, não valeria a pena passar por isso. 



*Conversa sobre o fato de eu não estar conseguindo participar das manifestações... mas poderia se aplicar a tantas outras coisas...

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Solo

Quando o querer não se contenta
Com o quente da alma
E o pensamento rebenta
Depressa e de calma

Teu toque que eu tanto esperava
E tanto queria,
Teu rosto que eu vezes lembrava
E no mais esquecia,
Teu gosto que eu adivinhava,
De água e semente,
Teu corpo que só descansava
No morno da mente

É mão que vem intranquila
Por montes e guizos
E a boca entreaberta suspira:
“Perdeste o juízo!”

**Poema que escrevi há anos, mas hoje me vieram os primeiros versos à cabeça do nada (mentira, teve motivo)

domingo, 16 de junho de 2013

Não é você, sou eu.

Sou eu que sou extremamente intolerante e que não posso viver com seus pequenos defeitos.
Sou eu que não sei lidar com essas pequenas falhas tão comuns, tão óbvias, tão inerentes à condição masculina, que não sei lidar com um homem de verdade.
Sou eu que não sei o que quero, mas mantenho essa lista interminável de coisas que não quero e que nela escrevi seu nome por algo que me pareceu importante na hora.
Sou eu que não sei dar valor a seus carinhos, a seus zelos, que me sinto sufocada por eles.
Não é você. Sou eu
que decidi que antes só...
e depois só...
e sempre só.

Sou eu.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

AJUDANDO UMA PESSOA DEPRIMIDA

Como lidar e ajudar alguém enquanto cuida de si mesmo


Traduzido por Camila Aguiar do site:




(clique no banner para a versão original em inglês)


Quando um membro da família ou amigo sofre de depressão, o seu apoio e encorajamento podem desempenhar um papel importante em sua recuperação. No entanto, a depressão também pode te abater se você negligenciar suas próprias necessidades. Estas orientações podem ajudá-lo a dar apoio a uma pessoa deprimida, mantendo seu próprio equilíbrio emocional.

AJUDANDO UM AMIGO OU MEMBRO DA FAMÍLIA DEPRIMIDO

A depressão é uma doença séria, porém tratável, que afeta milhões de pessoas, de jovens a idosos e de todas as classes sociais. Ela fica no caminho da vida cotidiana causando uma tremenda dor e prejudicando não apenas aqueles que sofrem com isso, mas também afetando todos ao seu redor.

Se alguém que você ama está deprimido, você pode estar vivendo muitas emoções difíceis, incluindo impotência, frustração, raiva, medo, culpa e tristeza. Estes sentimentos são normais. Não é fácil lidar com a depressão de um ente querido. E se você não cuidar de si mesmo, ela pode se tornar esmagadora.

Dito isso, existem passos que você pode seguir para ajudar seu ente querido. Comece aprendendo sobre a depressão e sobre como falar disso com seu ente querido. Contudo, enquanto você lida com isso, não se esqueça de cuidar de sua própria saúde emocional. Pensar em seus próprios desejos não é um ato de egoísmo – é uma necessidade. Sua força emocional vai permitir que você forneça suporte contínuo às necessidades da pessoa deprimida.

COMPREENDENDO A DEPRESSÃO EM UM AMIGO OU MEMBRO DA FAMÍLIA
  • A depressão é uma doença grave. Não subestime a gravidade da depressão. Depressão drena a energia, o otimismo e a motivação de uma pessoa. Seu ente querido deprimido não pode simplesmente "sair dessa" por pura força de vontade.
  • Os sintomas da depressão não são pessoais. Depressão faz com que seja difícil para uma pessoa se conectar em um nível emocional profundo com qualquer um, até mesmo com as pessoas que ela mais ama. Além disso, as pessoas deprimidas costumam dizer coisas ofensivas e ter explosões de raiva. Lembre-se que esta é a depressão falando, não seu ente querido, então não tente levar as ofensas para o lado pessoal.
  • Esconder o problema não vai fazê-lo ir embora. Não seja um facilitador. Não ajuda ninguém envolvido se você estiver inventando desculpas, encobrindo o problema ou mentindo para um ente querido que está deprimido. Na verdade, isso pode impedir a pessoa deprimida a procurar tratamento.
  • Você não pode "consertar" a depressão de alguém. Não tente resgatar seu ente querido da depressão. Não cabe a você resolver o problema, você não pode. Você não é o culpado pela depressão desta pessoa ou responsável por sua felicidade (ou a falta dela). A recuperação está fundamentalmente nas mãos da pessoa deprimida.

MEU AMIGO OU FAMILIAR ESTÁ DEPRIMIDO?

Família e amigos são muitas vezes a linha de frente de defesa na luta contra a depressão. É por isso que é importante entender os sinais e sintomas de depressão. Você pode perceber o problema em um ente querido deprimido antes que ele o faça, e sua influência e preocupação podem motivar a pessoa a procurar ajuda.

Fique preocupado se a pessoa:
  • Parece não se preocupar com mais nada.
  • Está estranhamente triste, irritado, mal-humorado, pavio curto (explode por qualquer motivo), crítico, ou temperamental.
  • Perdeu o interesse no trabalho, sexo, hobbies e outras atividades prazerosas.
  • Fala sobre sentir-se "impotente" ou "sem esperança".
  • Expressa uma perspectiva sombria ou negativa sobre a vida.
  • Queixa-se frequentemente de dores como dores de cabeça, problemas de estômago e dores nas costas.
  • Queixa-se de sentir-se cansado e exausto o tempo todo.
  • Afastou-se de amigos, familiares e outras atividades sociais.
  • Dorme menos do que o habitual ou dorme demais.
  • Come mais ou menos do que o habitual, e recentemente ganhou ou perdeu peso.
  • Tornou-se indeciso, esquecido, desorganizado, e alheio.
  • Bebe mais ou abusa de drogas, incluindo comprimidos para dormir e analgésicos prescritos.


COMO FALAR COM UM ENTE QUERIDO SOBRE A DEPRESSÃO

Às vezes é difícil saber o que dizer ao falar com um ente querido sobre a depressão. Você pode temer que, se você expuser as suas preocupações, ele vai ficar com raiva, se sentir ofendido ou ignorar as suas preocupações. Você pode não ter certeza de que perguntas fazer ou como ser solidário.

Se você não sabe por onde começar, as seguintes sugestões podem ajudar. Mas lembre-se de que ouvir com compaixão é muito mais importante do que dar conselhos. Encoraje a pessoa deprimida a falar sobre seus sentimentos, e esteja disposto a ouvir sem julgamento.
Não espere que uma única conversa seja o fim de tudo. As pessoas deprimidas tendem a se afastarem dos outros e se isolarem. Você pode precisar expressar sua preocupação e disposição para ouvir de novo e de novo. Seja gentil, porém persistente.

Maneiras de começar a conversa:
  • Tenho estado preocupado com você ultimamente.
  • Recentemente, tenho notado algumas diferenças em você e queria saber como você está.
  • Eu queria saber de você porque você parece tão pra baixo ultimamente.
Perguntas que você pode fazer:
  • Quando você começou a se sentir assim?
  • Aconteceu algo que fez você começar a se sentir desse jeito?
  • Como posso melhor apoiá-lo agora?
  • Você já pensou em procurar ajuda?

Lembre-se, ser solidário envolve oferta de encorajamento e de esperança. Muitas vezes, esta é uma questão de falar com a pessoa em uma linguagem que ele ou ela vai entender e responder quando está em um quadro de depressão.

O que você pode dizer que pode ajudar:
  • Você não está sozinho nessa. Eu estou aqui para você.
  • Você pode não acreditar agora, mas a maneira como você está se sentindo vai mudar.
  • Eu posso não ser capaz de entender exatamente como você se sente, mas eu me preocupo com você e quero ajudar.
  • Quando você quiser desistir, diga a si mesmo que você vai esperar apenas mais um dia, hora, minuto - qualquer coisa que você possa controlar.
  • Você é importante para mim. Sua vida é importante para mim.
  • Diga-me o que posso fazer agora para ajudá-lo.
Evite dizer:
  • Está tudo na sua cabeça.
  • Todos nós passamos por momentos como este.
  • Olhe para o lado positivo.
  • Você tem muito para viver, por que você quer morrer?
  • Eu não posso fazer nada sobre sua situação.
  • Você tem que sair dessa.
  • O que há de errado com você?
  • Você não deveria já estar melhor agora?
Adaptado de: The Depression and Bipolar Support Alliance

CUIDANDO DE SI MESMO ENQUANTO AJUDA UMA PESSOA DEPRIMIDA

Há um impulso natural de querer resolver os problemas das pessoas que amamos, mas você não pode controlar a depressão de um ente querido. Você pode, no entanto, controlar o quão bem você cuida de si mesmo. É tão importante você permanecer saudável quanto a pessoa deprimida começar o tratamento, então faça do seu próprio bem-estar uma prioridade.

Lembre-se do conselho de comissários de bordo de avião: colocar sua própria máscara de oxigênio antes de ajudar alguém. Em outras palavras, certifique-se a sua própria saúde e felicidade estão sólidos antes de tentar ajudar alguém que está deprimido. Você não vai fazer à pessoa deprimida nenhum bem se entrar em colapso sob a pressão de tentar ajudar. Quando suas necessidades são atendidas, você terá a energia de que precisa para estender a mão.

Dicas para cuidar de si mesmo:

Pense neste momento desafiador como uma maratona, você precisa de sustentação extra para continuar correndo. As idéias a seguir irão ajudá-lo a manter sua força enquanto você apoia seu ente querido ao longo do tratamento e recuperação da depressão.
  • Fale por si mesmo. Você pode estar hesitante em falar quando a pessoa deprimida em sua vida te incomoda ou deixa você para baixo. No entanto, a comunicação honesta vai realmente ajudar o relacionamento a longo prazo. Se você está sofrendo em silêncio e deixa o ressentimento crescer, seu ente querido vai sentir essas emoções negativas e se sentir ainda pior. Gentilmente fale sobre como você está se sentindo antes que as emoções reprimidas tornem muito difícil se comunicar com sensibilidade.
  • Estabeleça limites. Claro que você quer ajudar, mas você só pode ajudar até certo ponto. Sua própria saúde vai sofrer se você deixar sua vida ser controlada pela depressão do seu ente querido. Você não pode ser cuidador 24 horas por dia sem pagar um preço psicológico. Para evitar o cansaço e o ressentimento, estabeleça limites claros sobre o que você é capaz ou está disposto a fazer. Você não é terapeuta, portanto não assuma essa responsabilidade.
  • Mantenha o rumo da sua própria vida. Embora algumas mudanças em sua rotina diária possam vir a ser inevitáveis enquanto cuida de uma pessoa deprimida, faça o seu melhor para manter seus compromissos e planos com os amigos. Se a pessoa deprimida é incapaz de ir para um passeio ou viagem que vocês haviam planejado, peça a um amigo ir com você no lugar dele.
  • Procure apoio. Você NÃO está traindo ente querido deprimido recorrendo a  outros para apoio. Participar de um grupo de apoio, conversar com um conselheiro ou clérigo, ou se abrir com um amigo de confiança irá ajudá-lo a passar por este momento difícil. Você não precisa entrar em detalhes sobre a depressão do seu ente querido ou trair confidências. Em vez disso, concentre-se em suas emoções e naquilo que você está sentindo. Certifique-se de que você pode ser totalmente honesto com a pessoa com quem você está se abrindo e que ela não vai julgar as suas emoções!


INCENTIVANDO A PESSOA DEPRIMIDA A OBTER AJUDA

Embora você não possa controlar a recuperação de outra pessoa, você pode começar encorajando a pessoa deprimida a procurar ajuda. Levar uma pessoa deprimida a tratamento pode ser difícil. A depressão suga a energia e a motivação, por isso, mesmo o ato de marcar uma consulta ou encontrar um médico pode parecer assustador. Depressão também envolve formas negativas de pensamento. A pessoa deprimida pode acreditar que a situação é desesperadora e o tratamento é inútil.

Por causa desses obstáculos, conseguir que seu ente querido admita o problema e ajudá-lo a ver que ele pode ser resolvido é um passo essencial na recuperação da depressão.

Se o seu amigo ou membro da família resiste a receber ajuda para depressão:
  • Sugira um check-up geral com um médico. Seu ente querido pode ficar menos ansioso em ver um médico de família do que um profissional de saúde mental. A visita a um clínico geral é realmente uma ótima opção, já que o médico pode descartar causas físicas para depressão. Se o médico diagnostica depressão, pode indicar a pessoa para um psiquiatra ou psicólogo. Às vezes, essa opinião profissional faz toda a diferença.
  • Ofereça-se para ajudar o seu ente querido deprimido a encontrar um médico ou terapeuta e vá com ele na primeira visita. Encontrar o profissional e o tratamento adequado pode ser difícil, e muitas vezes é um processo de tentativa e erro. Para uma pessoa deprimida já com pouca energia, é de grande ajuda ter assistência para fazer ligações e pesquisar as opções.
  • Incentive a pessoa a fazer uma lista completa de sintomas e doenças para discutir com o médico. Você pode até mesmo trazer coisas que você tenha notado como um observador externo, tais como: "Você parece se sentir muito pior no período da manhã", ou "Você sempre tem dores de estômago antes do trabalho."


APOIANDO O PROCESSO DE TRATAMENTO DA DEPRESSÃO

Uma das coisas mais importantes que você pode fazer para ajudar um amigo ou parente com depressão é dar o seu amor e apoio incondicional e durante todo o processo de tratamento. Trata-se de ter compaixão e paciência, o que nem sempre é fácil quando se lida com a negatividade, a hostilidade e o mau humor que andam de mãos dadas com a depressão.
  • Preste qualquer assistência que a pessoa precise (e esteja disposta a aceitar). Ajude seu ente querido a assumir e manter compromissos, pesquisar opções de tratamento e ficar em dia com todo o tratamento prescrito.
  • Tenha expectativas realistas. Pode ser frustrante assistir ao árduo embate que a pessoa deprimida trava, especialmente se o progresso do tratamento é lento ou se estaciona. Ter paciência é importante. Mesmo com o tratamento ideal, a recuperação da depressão não acontece do dia para a noite.
  • Dê o exemplo. Incentive o seu amigo ou membro da família a levar um estilo de vida mais saudável e estimulante dando o exemplo: mantenha uma perspectiva positiva, coma melhor, evite o álcool e as drogas, exercite-se e saiba contar com outros para apoio.
  • Incentive a atividade. Convide a pessoa para acompanhá-lo em atividades edificantes, como ir a um filme engraçado ou jantar em um dos restaurantes favoritos. O exercício físico é especialmente útil, então tente colocar a pessoa deprimida em movimento. Ir em caminhadas juntos é uma das opções mais fáceis. Seja gentil e amorosamente persistente – não desanime ou pare de pedir.
  • Colabore quando possível. Lidar com tarefas aparentemente pequenas pode ser difícil para uma pessoa deprimida. Ofereça-se para ajudar com as responsabilidades domésticas ou outras tarefas, mas faça só o que puder sem se sobrecarregar.


O RISCO DO SUICÍDIO É REAL

Pode ser difícil de acreditar que a pessoa que você conhece e ama poderia sequer considerar algo tão drástico como suicídio, mas uma pessoa deprimida pode não ver outra saída. A depressão confunde o julgamento e distorce o pensamento fazendo uma pessoa normalmente racional acreditar que a morte é a única maneira de acabar com a dor que ela está se sentindo.

Quando alguém está deprimido, o suicídio é um perigo muito real. É importante conhecer os sinais de alerta:
  • A pessoa fala em suicídio, morte, ou em ferir-se
  • Preocupa-se com a morte
  • Expressa sentimentos de desesperança ou auto-ódio
  • Age de forma perigosa ou auto-destrutiva
  • Se organiza como se estivesse prevendo sua ausência (coloca o testamento e seguro de vida em dia, despede-se dos entes queridos, etc.)
  • Procura comprimidos, armas ou outros objetos letais
  • Apresenta súbita sensação de calma depois de uma depressão
Se você acha que um amigo ou membro da família pode estar considerando o suicídio, converse com ele sobre suas preocupações o mais rápido possível. Muitas pessoas se sentem desconfortáveis ​​trazendo à tona o tema, mas é uma das melhores coisas que você pode fazer por alguém que esteja pensando em suicídio. Falar abertamente sobre pensamentos e sentimentos suicidas pode salvar uma vida, por isso fale se você está preocupado e procure ajuda profissional imediatamente!

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O QUE FAZER EM UMA SITUAÇÃO DE CRISE?

Se você acredita que seu ente querido está em um risco imediato de suicídio, não deixe a pessoa sozinha.

Disque 141 ou entre no site da CVV http://www.cvv.org.br
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domingo, 24 de março de 2013

Companhia

A Solidão ensina que não há melhor apoio que as próprias pernas e que é preciso ser grato por elas.
O Outro é quem as guia por caminhos inesperados.

A Solidão mostra que o mérito de suas conquistas é seu.
O Outro as celebra contigo.

A Solidão põe em suas mãos toda a responsabilidade pela sua felicidade.
O Outro faz essa felicidade possível. 

A Solidão dá voz ao poder destruidor e criador do Silêncio. 
O Outro dá voz ao poder destruidor e criador do diálogo.

A Solidão é condição fundamental para a jornada ao centro de si.
O Outro é quem te traz de volta.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

16 tons

A vida às vezes pesa bem mais que isso, mas sempre dá pra cantar bonito debaixo do peso dela.

"Sixteen Tons" é uma canção sobre a vida de um mineiro de carvão. A autoria é contestada, mas a  primeira gravação foi em 1946, pelo cantor de country americano Merle Travis. Folkzinho bem gostoso com letra bem melancólica.



O curioso é que a grande maioria das versões feitas posteriormente não usa o tom original e sim o lindo tom de baixo da gravação de Tenessee ernie Ford em 1955, uma das minhas favoritas.


Existem inúmeras versões em diversas línguas e diversos ritmos, inclusive uma bem interessante do Johnny Cash, mas essa do The Platters ainda é a minha favorita junto com a do Tenessee ernie Ford.



Em português, temos a versão "16 Toneladas" do Noriel Vilela em 1968 que nada tem a ver com o canto de sofrimento dos trabalhadores superexplorados, mas sim com o ritmo do sambalanço



Em 1999, a banda Funk Como Le Gusta regravou a versão de Vilela, com a alteração de algumas palavras.  

Porque música boa vive pra sempre.


Fonte: Wikipedia 




quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Historinha fofa e verídica que acabou de acontecer na minha rua

Minha mãe entra no meu quarto morrendo de dó porque ouviu choro de cachorros novinhos lá na rua. Olho pela janela e vejo 3 filhotinhos correndo atrás de uma cadela magrela que fuçava o lixo desesperada tentando achar comida. Mais que depressa mudei minha camisola por uma roupa decente pra levarmos ração pra eles. Eles comeram muito desesperados, umas fofuras. Depois fui a um bar na rua e pedi água. Eram três filhotes: uma pretinha, um pretinho e um bege de focinho cinza, o mais fofo e preguiçoso... A mãe estava elétrica e agitada e logo após comer e beber já quis ir embora. Os bebês queriam descansar mais um pouco, mas os pretinhos acabaram a seguindo... só que o bege foi ficando pra trás, se perdeu e começou a chorar. Eu o peguei no colo e já ia encaminhá-lo de volta a mãe (pois infelizmente não posso manter outro cãozinho num apartamento) quando passa uma moça por mim na rua dizendo que o achou lindo e se prontificando a levá-lo para casa e cuidar dele.

Que lindo! Final feliz para pelo menos um deles! Tomara que alguém mais se apaixone por um pretinho super carinhoso, uma pretinha lindinha e meio medrosa e uma mãezona trigrada de olhos tão lindos e expressivos!