
Cansado de há tempos caminhar por ressequidos pastos, eis que o animal sedento avista A Água que tanto buscava. É a melhor das fontes que já vira, a que tem a
água mais fresca, a mais limpa, a mais pura. A visão da gota cristalina fascina
o bicho. Enfim alivio para sua sede!
Mas tão logo as pequenas e frágeis gotas
brotam da fonte, o sol que as faz brilhar as seca. Em vão o bicho
cava, gruda o focinho, aguça os sentidos. A água é boa, mas não há
muita. E com todo o esforço a sede só aumenta.
Por mais lindo que seja o espetáculo das
gotinhas diamantes brilhando e sumindo ao sol, sou bicho. Corpo de bicho tem
necessidades. Ao leste há um lago de águas barrentas que são minhas velhas
conhecidas. Para lá caminharão quatro patas exaustas e resignadas, cientes da
abundância que as aguarda.
Corpo de
bicho tem necessidades simples. Não precisa água de brilhar no sol. Precisa água de matar a sede.