terça-feira, 4 de novembro de 2014

Emaranhado


Qual pente se usa para desembaraçar os fios do pensamento? Aqui estou eu, tecelã que nada tece, presa nesse trabalho interminável. Perdida nessa estonteante profusão de cores e texturas, nada posso ainda produzir. E enquanto eu não produzir, os fios só vão se acumulando, se estragando, se empoeirando. A cabeça fica assim, tão cheia, que os fios já começam a se espalhar por aí. A garganta se enche de nós, os lábios se enchem de nãos e o coração fica tão cheio de lã embolada que quem quer que se dispusesse a entrar não caberia. De tão cheio, parece vazio, porque é cheio de coisas inúteis, de maria que não faz produto, de sono que não traz repouso porque é antes estupor, é antes sufocamento. Se ao menos eu  soubesse que ponta puxar primeiro...


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