Qual pente se usa para desembaraçar
os fios do pensamento? Aqui estou eu, tecelã que nada tece, presa nesse trabalho
interminável. Perdida nessa estonteante profusão de cores e texturas, nada
posso ainda produzir. E enquanto eu não produzir, os fios
só vão se acumulando, se estragando, se empoeirando. A cabeça fica assim, tão cheia, que os fios já começam a se espalhar por aí. A garganta se enche de nós, os lábios se enchem de nãos e o coração fica tão cheio de lã
embolada que quem quer que se dispusesse a entrar não caberia. De tão cheio, parece vazio, porque é cheio de coisas inúteis, de matéria que não faz produto, de sono que não traz
repouso porque é antes estupor, é antes sufocamento. Se ao menos eu soubesse que ponta puxar primeiro...
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