"O cão jamais fora expulso do paraíso,
ignora tudo sobre a dualidade do corpo e da alma e não conhece vergonha.
Parece-me apenas que o casal é criado de forma tal que o amor do homem e da
mulher é a priori de uma natureza inferior ao que pode existir (pelo menos na
melhor de suas versões) entre um homem e um cachorro. É um amor desinteressado, eu não quero nada
do meu cão. Nem mesmo amor exijo. Nunca precisei fazer perguntas que atormentam
os casais humanos: será que ele me ama? será que gosta mais de mim do que eu
dele? terá gostado de mais alguém além de mim? Todas essas perguntas que
interrogam o amor, o avaliam, o investigam, o examinam, será que não ameaçam
destruí-lo no próprio embrião? Se somos incapazes de amar, talvez seja porque
desejamos ser amados, quer dizer, queremos alguma coisa do outro (o amor), em
vez de chegar a ele sem reivindicações, desejando apenas sua presença.
Aceitei meu cão tal qual é, não procurei
torná-lo minha imagem, aceitei de saída seu universo de cachorro, não desejei
confiscar nada dele, não sinto ciúmes de
suas tendências secretas.
Nenhum ser humano pode oferecer a outro o
idílio. Só o animal pode, porque não foi expulso do Paraíso. O amor entre o
homem e o cão é idílico. É um amor sem conflitos, sem cenas dramáticas, sem
evolução."
| À meu amor idílico, minha cachorra 'Funny', que em janeiro completa 16 anos. |
Nenhum comentário:
Postar um comentário