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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Ensaio

Por vezes acreditamos ter estabelecido uma conexão com alguém, quando na verdade o que houve foi uma simples interação. É preciso entender a diferença, do contrário, nos vemos conectados a uma sombra, a uma figura que só existe no nosso imaginário e que espelhamos naquela pessoa com quem interagimos por um  momento. 
Não digo que interações não são importantes: o ser humano é um ser social, depende delas. Só que o objetivo de uma interação é puramente este: o social. Já objetivo de uma conexão é emocional, o que demanda muito mais energia. Apegarmo-nos a conexões inexistente faz com que gastemos nossa limitada energia em algo que não dará frutos. Ora, se nosso corpo é programado para poupar energia, por que então nos vemos compelidos a gastá-la assim, tão inutilmente? Simples: conectar-se verdadeiramente com outro ser humano gera frutos tão saborosos que faz valer a pena toda a energia dispensada. Mas confunda conexão com interação e veja-se eternamente à sombra de uma amendoeira esperando colher maçãs. 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Comigo me desavim


Tentei escrever sobre o assunto, até que lembrei que Sá de Miranda já escreveu bem do jeitinho que eu queria dizer (há uns 500 anos atrás):

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Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor, da gente fugia,
Antes que esta assim crescesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.

Que meio espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho inimigo de mim?

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Band-aid



Ele cobriu minhas feridas por um tempo, mas agora elas têm que respirar e se curar sozinhas.

Band-aid é bem rápido que se arranca. Dói e às vezes até leva um pedaço seu. E deixa a marca dele na sua pele. 

Band-aid é bem rápido que se arranca. Dói, mas vai passar.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

o tédio é uma coisa morta

a tristeza é essa coisa morta
mofando na geladeira

a depressão é quando a coisa morta
mofando na geladeira
é você





* Outro texto antigo, porque nada mudou.