quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Historinha fofa e verídica que acabou de acontecer na minha rua

Minha mãe entra no meu quarto morrendo de dó porque ouviu choro de cachorros novinhos lá na rua. Olho pela janela e vejo 3 filhotinhos correndo atrás de uma cadela magrela que fuçava o lixo desesperada tentando achar comida. Mais que depressa mudei minha camisola por uma roupa decente pra levarmos ração pra eles. Eles comeram muito desesperados, umas fofuras. Depois fui a um bar na rua e pedi água. Eram três filhotes: uma pretinha, um pretinho e um bege de focinho cinza, o mais fofo e preguiçoso... A mãe estava elétrica e agitada e logo após comer e beber já quis ir embora. Os bebês queriam descansar mais um pouco, mas os pretinhos acabaram a seguindo... só que o bege foi ficando pra trás, se perdeu e começou a chorar. Eu o peguei no colo e já ia encaminhá-lo de volta a mãe (pois infelizmente não posso manter outro cãozinho num apartamento) quando passa uma moça por mim na rua dizendo que o achou lindo e se prontificando a levá-lo para casa e cuidar dele.

Que lindo! Final feliz para pelo menos um deles! Tomara que alguém mais se apaixone por um pretinho super carinhoso, uma pretinha lindinha e meio medrosa e uma mãezona trigrada de olhos tão lindos e expressivos!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Broto


Eu sabia que meu coração era terra fértil onde amor brotava das sementes mais pequenas.  Então decidi fechar todos os portões, impermeabilizar os entornos com muito álcool e fumaça, não deixar que nada vivo se aproximasse.
Mas eis que de uma dessas esquinas escuras onde é sabido que nada brota, eis que de uma dessas esquinas soprou um vento. E o vento espalhou a fumaça, o vento fez do álcool vapor entorpecente e fez tudo ficar irrespirável... tive que abrir os portões. O vento  invadiu, sacudiu cabelos, trouxe com ele uma semente morena que pousou em minhas terras como um beijo respeitoso pousa nas mãos.
Achei que essa não vingava. Veio de terras inférteis, pousou tão de leve que eu mal senti seu toque... mas nos últimos dias tenho sentido aquelas cócegas bem peculiares que as raízes fazem enquanto se aprofundam. O ar tem parecido mais oxigenado, como se houvesse folhas molhadas por perto...
Sei que um dia tenho que deixar algo brotar nessas terras feitas férteis por algum motivo. Mas vigio este broto novo com um pouco mais de cuidado, por ter vindo de terras sombrias. Que seja planta medicinal, não daninha... Que seja semente de rosa, não de baobá! Porque capinar deixa sempre cicatriz na terra.

Atual residência: Niterói - RJ
Música do dia: All by myself - Celine Dion