quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Dia da Consciência Negra


Ao tentar passar para meus alunos alguma informação quanto ao dia da Consciência Negra, me deparei com o fato de que não sei NADA sobre a História Afro-Brasileira. Pesquisei uma ou outra coisa na internet sobre Zumbi e quilombos e João Cândido e A revolta da Chibata,  mas isso não deu conta de superar anos de ignorância. O fato é que não éramos ensinados sobre isso na escola. Nessa minha pesquisa, descobri também que em 2003 foi promulgada a lei 10.639 que determina o ensino de "História e Cultura Afro-brasileira e Africana" nas escolas. Neste ano eu já não estava mais na escola, mas posso pensar que a próxima geração poderá ser mais bem informada que eu, certo? Bem, não exatamente... Há uma séria defasagem de professores com proficiência suficiente para ensinar tal disciplina, o que se deve ao fato de que eles mesmos não foram educados para difundir essa cultura.

Vejo muitas pessoas comentando - "Por que um dia da Consciência Negra? Que exagero! Não precisa..." E é com vergonha que admito que já fui uma dessas pessoas. Creio, porém, que tal questionamento é antes motivado por ignorância que por puro e simples despeito. Enquanto tratarmos a História Afro-Brasileira como uma história à parte, estaremos tratando os negros do Brasil como um povo à parte. Quando finalmente entendermos que Zumbi e João Cândido são antes heróis nacionais, mais que simplesmente "heróis dos negros", estaremos entendendo que há um só povo com uma só historia em uma só nação. Enquanto houver aprendizado e luta a fim de caminharmos para a igualdade, deve, sim, haver “Dia da Consciência Negra”.  

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1) Em tempo, reconheço que nunca vou saber como é ser negra, ser olhada como negra, procurar emprego como negra, me relacionar no mundo como negra. Esse texto é somente um manifesto contra a ignorância (a minha própria ignorância, inclusive) em relação à História e Cultura Afro-Brasileira, porque entendo que a ignorância é um dos fatores que mais alimenta o preconceito. 

2) Foto de João Cândido Felisbertotambém conhecido como "Almirante negro" militar brasileiro da Marinha de Guerra do Brasil, líder da Revolta da Chibata (1910).

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Emaranhado


Qual pente se usa para desembaraçar os fios do pensamento? Aqui estou eu, tecelã que nada tece, presa nesse trabalho interminável. Perdida nessa estonteante profusão de cores e texturas, nada posso ainda produzir. E enquanto eu não produzir, os fios só vão se acumulando, se estragando, se empoeirando. A cabeça fica assim, tão cheia, que os fios já começam a se espalhar por aí. A garganta se enche de nós, os lábios se enchem de nãos e o coração fica tão cheio de lã embolada que quem quer que se dispusesse a entrar não caberia. De tão cheio, parece vazio, porque é cheio de coisas inúteis, de maria que não faz produto, de sono que não traz repouso porque é antes estupor, é antes sufocamento. Se ao menos eu  soubesse que ponta puxar primeiro...