segunda-feira, 30 de julho de 2012

16 tons

A vida às vezes pesa bem mais que isso, mas sempre dá pra cantar bonito debaixo do peso dela.

"Sixteen Tons" é uma canção sobre a vida de um mineiro de carvão. A autoria é contestada, mas a  primeira gravação foi em 1946, pelo cantor de country americano Merle Travis. Folkzinho bem gostoso com letra bem melancólica.



O curioso é que a grande maioria das versões feitas posteriormente não usa o tom original e sim o lindo tom de baixo da gravação de Tenessee ernie Ford em 1955, uma das minhas favoritas.


Existem inúmeras versões em diversas línguas e diversos ritmos, inclusive uma bem interessante do Johnny Cash, mas essa do The Platters ainda é a minha favorita junto com a do Tenessee ernie Ford.



Em português, temos a versão "16 Toneladas" do Noriel Vilela em 1968 que nada tem a ver com o canto de sofrimento dos trabalhadores superexplorados, mas sim com o ritmo do sambalanço



Em 1999, a banda Funk Como Le Gusta regravou a versão de Vilela, com a alteração de algumas palavras.  

Porque música boa vive pra sempre.


Fonte: Wikipedia 




quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Historinha fofa e verídica que acabou de acontecer na minha rua

Minha mãe entra no meu quarto morrendo de dó porque ouviu choro de cachorros novinhos lá na rua. Olho pela janela e vejo 3 filhotinhos correndo atrás de uma cadela magrela que fuçava o lixo desesperada tentando achar comida. Mais que depressa mudei minha camisola por uma roupa decente pra levarmos ração pra eles. Eles comeram muito desesperados, umas fofuras. Depois fui a um bar na rua e pedi água. Eram três filhotes: uma pretinha, um pretinho e um bege de focinho cinza, o mais fofo e preguiçoso... A mãe estava elétrica e agitada e logo após comer e beber já quis ir embora. Os bebês queriam descansar mais um pouco, mas os pretinhos acabaram a seguindo... só que o bege foi ficando pra trás, se perdeu e começou a chorar. Eu o peguei no colo e já ia encaminhá-lo de volta a mãe (pois infelizmente não posso manter outro cãozinho num apartamento) quando passa uma moça por mim na rua dizendo que o achou lindo e se prontificando a levá-lo para casa e cuidar dele.

Que lindo! Final feliz para pelo menos um deles! Tomara que alguém mais se apaixone por um pretinho super carinhoso, uma pretinha lindinha e meio medrosa e uma mãezona trigrada de olhos tão lindos e expressivos!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Broto


Eu sabia que meu coração era terra fértil onde amor brotava das sementes mais pequenas.  Então decidi fechar todos os portões, impermeabilizar os entornos com muito álcool e fumaça, não deixar que nada vivo se aproximasse.
Mas eis que de uma dessas esquinas escuras onde é sabido que nada brota, eis que de uma dessas esquinas soprou um vento. E o vento espalhou a fumaça, o vento fez do álcool vapor entorpecente e fez tudo ficar irrespirável... tive que abrir os portões. O vento  invadiu, sacudiu cabelos, trouxe com ele uma semente morena que pousou em minhas terras como um beijo respeitoso pousa nas mãos.
Achei que essa não vingava. Veio de terras inférteis, pousou tão de leve que eu mal senti seu toque... mas nos últimos dias tenho sentido aquelas cócegas bem peculiares que as raízes fazem enquanto se aprofundam. O ar tem parecido mais oxigenado, como se houvesse folhas molhadas por perto...
Sei que um dia tenho que deixar algo brotar nessas terras feitas férteis por algum motivo. Mas vigio este broto novo com um pouco mais de cuidado, por ter vindo de terras sombrias. Que seja planta medicinal, não daninha... Que seja semente de rosa, não de baobá! Porque capinar deixa sempre cicatriz na terra.

Atual residência: Niterói - RJ
Música do dia: All by myself - Celine Dion




sábado, 7 de janeiro de 2012

Faxina


Há que se arrumar a casa antes de receber visita. A faxina aqui pode levar um tempo. Há muitos cantinhos empoeirados, retratos e livros antigos empilhados, muitas roupas que não servem mais encaixotadas na caixa do "talvez-eu-volte-a-ser-o-que-era".
Minha casa fede a bolor... a faxina aqui pode levar um tempo.
Então vou pendurar um sinal de “Proibido Entrar” na minha porta... mas é só até poder limpar tudo direitinho, matar as traças que corroem minhas memórias, organizar as coisas em seus devidos lugares, jogar fora o que for de fora. 
Só então, caro visitante, se ousar bater em uma porta onde o sinal de “Proibido Entrar” esteve pendurado por tanto tempo, se não se importar com a marca da moldura que ficou na porta... só então, caro visitante, te deixo entrar. E prometo recebê-lo com chá quentinho, biscoitos, água fresca, fazê-lo sentir-se em casa... 
Como se fosse sua a minha casa. 
E será.

Atual residência: mar, navegando rumo a Vitória - ES
Música do dia: All the way - Frank Sinatra

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

As pancadas

Ela me batia todo dia. E batia porque assim era a natureza dela. Batia porque foi criada para bater. E eu para apanhar. Então nada mudava: nem ela parava de bater, nem eu parava de apanhar. E assim se sucedeu por muitos e muitos séculos. Ela batia. Eu apanhava. Nada mudava...
Só que eu fui ficando alta, ela foi ficando fraca... e as pancadas foram escasseando, e eu crescendo.
Um dia olhei para baixo e vi a que me bateu por tantos anos. Ela passava devagar, escassa, cansada. Eu cá de cima, magnífica, sublime, erguida!
Hoje as pessoas vêm me ver, sou uma atração grandiosa da natureza. Aquela que sobreviveu às pancadas do que agora é só um filetinho de água lá em baixo, um detalhe da paisagem. Aquela, que antes era só mais uma pedra, e hoje é um Canyon, um gigantesco e magnífico...  
BURACO!


Atual residência: mar 
Música do dia: O vencedor - Los Hermanos
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Demotivator do dia:


PRESSÃO: Pode transformar um pedaço de carvão num perfeito diamante - 
ou uma pessoa medíocre num perfeito caso perdido.



PS: Você pode ler mais sobre demotivators nesse post aqui ou no site Despair.com  (meu post com traduções, o site original todo em inglês)

Atual residência: mar 
Música do dia: none

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Schrödinger's head

 


Aqui perde-se a referência de tempo.
Na cabine não tem vigias. 
          Nunca se sabe se é dia ou noite. 
O lugar todo é assim, a mesma claridade sempre, a mesma atividade sempre. 
Tem gente circulando, rádios bipando, portas batendo, 24 x 7.
Nunca sei que dia é hoje. 
Nunca sei que horas são. 
Nunca sei se estou sã. 

Minha cabeca é a caixa onde Schrödinger botou uma mente. 
Botou também uma loucura que pode vir a ser / ter sido acionada a qualquer momento.
Estou simultaneamente sã e louca. 

(Não me atrevo a abrir a caixa.)


Atual residência: mar chuvoso
Música do dia: Ilusion - Marisa Monte e Julieta Venegas
 


O cavaleiro


Ele vem todo prateado... é lindo vê-lo brilhar à luz do sol em sua reluzente armadura. Uma vez ousei abraçá-lo. A armadura é de aço, cheia de pontas, me espetou.
À noite ele bebe e tira a armadura e vem me visitar. E ficamos nus, eu e ele, ousamos nos abraçar. E nada reluz, nada brilha, não há sol. É entre as sombras mesmo que nos sentimos um ao outro por completo.

Atual residência: Normand Seven - Solstad - Bacia de Campos
Música do dia: Nature Boy - Cover version by Caetano Veloso

quinta-feira, 28 de julho de 2011

About Verb Tenses

Something happened. Something will happen. But nothing is happening. I live in the meanwhile.

Women love. Men are loving.

There is simple past, present and future. How come grammar doesn’t explain the complicated ones?

Atual residência: Hotel Diamond - Gloria - RJ (esperando pra embarcar)
Música do dia: Somewhere only we know - Keane
 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Diário de Bordo



Querido Diário,

Estou embarcada há oito dias nessa FPSO cobrindo férias do professor daqui, minha primeira experiência em uma embarcação tão grande. Estou achando muito estranho viver com tanta gente junta, gente nova embarcando todo dia, não dá tempo de aprender o nome de ninguém. Dividir cabine também é muito chato. Hoje embarcaram duas meninas novas que vão ficar lá comigo. Tomara que nenhuma delas ronque.

Hoje acordei meio estranha, com dor de garganta e dor de cabeça. A tripulação tava bem gripada semana passada, acho que tô começando meio tardiamente a ficar também. Espero que não. Saí pra tomar um sol lá fora pra esquentar um pouco o corpo, pois tá dando uns calafrios também. Aqui dentro faz muito frio por causa do ar condicionado central. É a segunda vez desde meu embarque que vou lá fora pegar sol. É meio chato, a gente não se move, a mesma  vista sempre. Deu saudade do meu navio que tá sempre em movimento, sempre me levando a uma paisagem diferente.

Faltam 6 dias pra eu desembarcar. Depois passo uma semana em casa e vou embarcar de novo em um navio diferente. Era muito ruim quando eu achava que estar embarcada me privava da vida real, mas agora ficou bem legal depois que eu entendi que estar embarcada faz parte da minha vida real. Aqui também se aprende, se diverte, se ama, se odeia, se briga, se faz as pazes... E principalmente: se faz muuuuuito relatório... Então deixa eu ir lá que os meus estão atrasados.

Atual residência: FPSO Cidade de Niterói - MODEC - Bacia de Campos
Música do dia: none