sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

As pancadas

Ela me batia todo dia. E batia porque assim era a natureza dela. Batia porque foi criada para bater. E eu para apanhar. Então nada mudava: nem ela parava de bater, nem eu parava de apanhar. E assim se sucedeu por muitos e muitos séculos. Ela batia. Eu apanhava. Nada mudava...
Só que eu fui ficando alta, ela foi ficando fraca... e as pancadas foram escasseando, e eu crescendo.
Um dia olhei para baixo e vi a que me bateu por tantos anos. Ela passava devagar, escassa, cansada. Eu cá de cima, magnífica, sublime, erguida!
Hoje as pessoas vêm me ver, sou uma atração grandiosa da natureza. Aquela que sobreviveu às pancadas do que agora é só um filetinho de água lá em baixo, um detalhe da paisagem. Aquela, que antes era só mais uma pedra, e hoje é um Canyon, um gigantesco e magnífico...  
BURACO!


Atual residência: mar 
Música do dia: O vencedor - Los Hermanos
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar

2 comentários:

Clara Edwiges disse...

Muito maneiro! Mas, LOL!

Bart Rabelo disse...

Água mole em pedra dura, tanto bate até que cria uma das maiores atrações turísticas dos EUA.

Mas falando sério, na verdade é uma questão climática. Os cientistas estudam a Antártida com tanto afinco porque debaixo das camadas de gelo, podem haver organismos congelados, formações geológicas e vestígios muito antigos, os quais ajudarão a entender melhor o nosso planeta.

Então tudo o que a pedra precisa, no fim das contas, é de uma armadura. :)